As profecias auto-realizadoras
Encontramos hoje na literatura autores que defendem a importância da heterogeneidade para o processo de ensino-aprendizagem e geralmente o plano das escolas traz essa orientação, com ênfase na interação de crianças em diferentes estágios de alfabetização.
Porém, nas escolas brasileiras é possível encontrar a realidade das classes homogêneas e essa prática é defendida como argumento de facilitar o processo e as práticas do professor.
Patto apud Collares & Moysés (1996) coloca que a prática da homogeneidade é indutora da profecia auto-realizadora, por meio da qual as professoras vêem confirmadas suas previsões feitas logo no início do ano a respeito de cada aluno.
Os autores colocam ainda que:
A capacidade de o professor identificar rapidamente que crianças vão aprender e quais não vão aprender – o já exaustivamente discutido e criticado “tirocínio diagnóstico” – é apresentado de uma forma tão natural” e sem dúvidas, que aparenta um poder mágico. Ou um dom. O que nos remete, obrigatoriamente, ao conceito de aptidão como uma característica inata (COLLARES & MOYSÉS, 1996, p. 44).
Muitos professores ao serem questionados sobre o remanejamento de alunos assumem em seus discursos uma postura de “profeta da aprendizagem”, pois colocam que “dá para perceber a capacidade da criança logo no início (...) ela não consegue ler, você dá um ditado ou uma cópia ela não consegue fazer” (COLLARES & MOYSÉS, 1996, p. 44).
Diante dessa situação é perceptível que a separação dos alunos sugere a preservação dos alunos novos, ainda não contaminados. Neste sentido é impossível negar que a escola separa e exclui os alunos com DA, já que os mesmos são apontados como os alunos da “classe fraca” e como pudemos notar são considerados contaminados, fracassados.
Geralmente as crianças que vão fracassar são identificadas logo no primeiro bimestre, por isso, no momento em que se define aqueles que não irão aprender, legitima-se a sua exclusão.
JANUCCI, M. Z. Trabalho de Conclusão de Curso: “Dificuldades de Aprendizagem: problema ou desafio para a prática docente?. São José do Rio Preto, [s.n.], 2006.
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